Hilda Alão

Escrever é uma forma de amar.

Textos

NO REINO DO REI HONESTO

Existiu, há muito tempo, um reino governado por um rei honesto e caridoso. Três filhos eram a sua maior riqueza. Amando demais as crianças, ele ensinava o valor da honestidade, da verdade e da caridade. A vida no reino era boa. As pessoas trabalhavam, pagavam impostos que o rei fazia questão de devolver em forma de serviços direcionados a todos os seus súditos. Havia um ponto que o rei fazia questão de supervisionar pessoalmente: as escolas. Era ponto de honra para o rei que toda criança frequentasse uma boa escola e, para isso, ele não poupava esforços nem dinheiro.
Um dia as crianças do reino tiveram uma grata notícia: o rei havia determinado que, três vezes por semana, três crianças da aldeia passariam o dia no castelo para brincar com seus filhos. Para os filhos do rei, dois meninos e uma menina, foi o maior presente que já tinham recebido.
Chegou o dia. A carruagem, do ministro do rei, parou diante da porta principal do castelo e dela desceram dois meninos e uma menina que foram recebidos pelo casal real e seus filhos. A carpintaria do rei, trabalhando a todo vapor, fazia todo tipo de brinquedo para entreter as crianças. E assim corria a vida no reino do rei honesto.
Um dia o rei honesto recebeu a visita de um rei vizinho que também tinha três filhos. O rei visitante, depois de descansar da longa viagem, foi conhecer o reino do rei honesto.  Ficou intrigado. Por que o povo sorria e cumprimentava o rei? No reino dele não acontecia isso. Foi então que o rei honesto respondeu:
- Aqui se faz justiça. É por causa do povo que o governo existe. E tem mais, amigo, três vezes por semana três crianças do povo vêem brincar com meus filhos.
- É. Você me parece estranho. Louco talvez. Respondeu o outro.
Enquanto isso, acompanhados por soldados do reino para garantir a segurança deles, os filhos do rei honesto, os do rei visitante e as crianças da aldeia, brincavam perto do rio. Os meninos brincavam de esconde-esconde e as meninas brincavam com bonecas feitas pelos artesões do reino. A princesinha Luciana, filha do rei honesto, deixou a boneca cair no rio. Que tristeza! A menina começou a chorar. Com pena da criança, uma fada apareceu e perguntou:
- Por que choras bela criança?
- Minha boneca caiu na água e não sei como recuperar.
A fada mergulhou no rio e trouxe uma boneca toda de ouro e apresentando para a criança ela perguntou:
- É esta a sua boneca?
- Não, senhora!
Então a fada mergulhou novamente e trouxe uma boneca toda de prata.
- É esta a sua boneca?
- Não, senhora!
E novamente a fada mergulhou trazendo a boneca certa:
- É esta a boneca?
- É sim, senhora! Muito obrigada!
Mas a boneca estava molhada. A fada, para premiar a honestidade da princesinha, com sua varinha mágica secou a boneca o que fez a criança muito feliz.
A princesa visitante, que a tudo assistira escondida atrás de uma moita, resolveu fazer o mesmo porque estava de olho na boneca toda de ouro. E assim pensando, assim fez. Jogou a boneca no rio e começou a chorar bem alto até que a fada apareceu:
- Por que choras, princesinha?
- Minha boneca caiu no rio. Vá pegá-la! Ordenou a menina.
A fada mergulhou e voltou com uma boneca de ouro.
- É esta a sua boneca?
- É sim! Dá-me logo! – pediu impaciente a menina.
Decepcionada com a desonestidade da menina, a fada jogou a boneca na água do rio e desapareceu. A princesinha visitante voltou para o meio das outras crianças sem a boneca nas mãos.  Luciana, vendo a princesa visitante triste, perguntou a causa. Ela contou tudo. Então Luciana lhe disse:
- Você faltou com a verdade, foi invejosa e gananciosa. As fadas não gostam de pessoas assim. Seu pai não lhe ensina a dizer a verdade e ser honesta? O meu ensina. Por isso a fada devolveu a minha boneca.
Na hora da partida, quando todos já estavam na carruagem, Luciana veio se despedir a princesa. Deu-lhe um abraço e cochichando disse:
- Verdade, honestidade e caridade. Use-os e sempre tirará a sua boneca do rio.
E a vida continuou naquele reino com o rei sendo cada vez mais amado e respeitado pelo povo.

02/09/11
(histórias que contava para o meu neto)

Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 02/09/2011


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