Hilda Alão

Escrever é uma forma de amar.

Textos

O GATO RICO (cordel infantil)
Conta o livro de história
Que um tal gato de botas
Obteve grande vitória
Contando muitas lorotas
Para um bobo marquês,
Beneficiando seu dono
E assim viver de vez
No luxo, sem abandono.

Já o gato deste conto
É totalmente diferente.
Muito rico ao ponto
De ornar do palácio a frente
Com pequenos ratos de ouro
Para os gatos pobres afrontar,
E dizer que não havia tesouro
Que ao dele pudesse se igualar.

Os outros gatos do lugar
Olhavam-no com desdém,
E passavam horas a criticar
As atitudes do gato Moquém.
Muito gordo e vaidoso
Vivia inventando moda,
Pois bicho ocioso
É como carro sem roda

Não serve para nada,
Dizia Serafina, a gatinha,
Que por ele era apaixonada.
Um dia, em que nada a fazer tinha,
Moquém chamou um empregado
E deu uma ordem estranha:
Procure e diga que pago bem
Àquele que sem patranha

Possa meu palácio cobrir
Com uma cúpula de cristal
Para eu não mais sentir
O odor desses gatos sem sangue real.
E lá se foi triste o empregado
Atrás de um engenheiro arquiteto.
Para um gato de focinho achatado
Ele contou do patrão o sonho do teto.

A notícia correu como o vento
Alvoroçando o longínquo vilarejo,
E do fato tomou conhecimento
O gato Kané que veio com seu cortejo
Ofertar seus serviços por pagamento
Em ouro e não precisava ser adiantado.
Para seus ajudantes um acampamento,
Ele exigia, bem limpo e climatizado.

Chegaram ao palácio dourado
E foram recebidos com alegria
Por Moquém, o dono da casa.
Iniciou-se o trabalho de cobertura
Do palácio com cristal da Bohemia
Que seria excelente abafadura,
Melhor que alvenaria,
Para impedir que o odor

De qualquer outro gatinho,
Considerado ser inferior,
Chegasse às narinas do gato riquinho.
Os outros gatos, a distância,
Observam aquela obra preconceituosa
E do gato rico a imensa arrogância
Ao dizer a todos: está tão formosa
A cúpula que cresce da noite pro dia.

Em sete dias o trabalho findou.
A cúpula sobre o palácio reluzia.
Kané seus ajudantes despachou
Dizendo a Moquém que logo voltaria
Para receber o que lhe era devido.
E o gato foi para sua tesouraria
Contar o ouro que seria dividido
Entre Kané e seus operários.

Moquém tremeu da cabeça aos pés.
O seu lindo tesouro centenário
Havia desaparecido através
Da mais esperta gatunaria.
Mais zangado ele ficou
Ao saber, por um cristaleiro,
Que a cúpula era pura vidraria,
E que fora vítima de um trapaceiro.

Por sua ostentação foi castigado
Moquém o gato presunçoso.
Ficou pobre e muito assustado,
Trabalho pediu a outros gatos,
Aprendendo de modo doloroso
A lição que vida ensina:
Hoje eu tenho e faço tudo que quero,
Amanhã nada tenho, sou um zero.

26/04/11.
(Maria Hilda de J. Alão)
(histórias que contava para o meu neto)
(Blog: https.//hildaalao.blogspot.com)
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 26/06/2011
Alterado em 13/02/2022


Comentários



Site do Escritor criado por Recanto das Letras